Bruce Willis é um dos atores que menos deu autógrafos em 2007

Março 23, 2008

(Eu não acredito como alguém conseguiu escrever tanto sobre autógrafos) 

O autógrafo, um troféu para os fãs, é um preço que as estrelas têm que pagar por sua fama, embora, na hora de escrever sua assinatura em um pedaço de papel, nem todos em Hollywood sustentem um sorriso no rosto.

Tobey Maguire, Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Bruce Willis, Scarlett Johansson e Julie Andrews se encontram entre os dez atores que menos deram autógrafos em 2007, segundo uma lista elaborada pela revista Autograph Magazine.

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Mulher Filé posa de coelhinha e diz que quer namorado

Março 23, 2008

Nesta Páscoa, Yani de Simone, a Mulher Filé, está triste. Solteira, a dançarina de Mister Catra não tem com quem trocar ovos de chocolate, que tanto gosta. “Os homens não chegam junto de verdade. Não tenho ninguém para dar um ovinho”, lamentou.

Com vontade de arrumar um namorado, a morena da Vila da Penha resolveu mostrar que tem muito potencial e posou de coelhinha da Páscoa. “Quis fazer fotos de biquíni para mostrar que meu corpão é todo original e não tenho gordurinha nenhuma”, garantiu a moça. Apesar de fazer sucesso entre os homens, ninguém conseguiu conquistar a Mulher Filé do jeito que ela gosta. “Dou muito autógrafo, falam muita bobagem, mas ninguém chegou decidido a me conquistar. Gosto de homem que tenha atitude.”

A Dança do Pisca-Bumbum, especialidade da Mulher Filé que faz o maior sucesso nos shows, já virou marca registrada de toda a família da gata. “Minha mãe adora dançar como eu e está aprendendo a fazer o pisca. Ela está adorando o meu sucesso, até chorou”, contou.

Mas a família da Mulher Filé já experimentou o lado ruim da fama. O avô dela virou alvo de brincadeiras. “Os amigos colocaram o apelido dele de Vovô do Pisca, e ele ficou de mau humor. Eles também adoram dizer para o meu avozinho que sou filé mesmo”, disse ela.

Já a mãe dela, que é taxista, não escapou das piadinhas dos passageiros que descobriram o parentesco. “Alguns entram com as fotos no carro, e o telefone dela não pára. Ela quase não consegue dirigir”, contou a filha.
 

O Dia

> Meodeus… se nem a Mulher Filé consegue, o que será de nós míseras mortais?

 

Fonte: http://exclusivo.terra.com.br/interna/0,,OI2702169-EI1118,00.html


Citações

Março 23, 2008

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“Aliás – descubro eu agora – eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria.”
A hora da estrela

 

“Onde aprender a odiar para não morrer de amor?”
Laços de família

“Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.”
Um sopro de vida

“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”
Perto do coração selvagem

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“Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim.”
A hora da estrela

“E de tal modo haviam se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu felicidade.”
Laços de família

“Quem não é um acaso na vida?”
A hora da estrela

“Isto não é um lamento. É um grito de ave de rapina, irisada e intranqüila.”
Um sopro de vida

“Com Deus a gente também pode abrir caminho pela violência. Ele mesmo quando precisa mais especialmente de um de nós, Ele nos escolhe e nos violenta.”
A paixão segundo G.H.

“Só quem guarda as armas a chave é quem receia atirar sobre todos.”
Perto do coração selvagem

“Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair.”
A paixão segundo G.H.

“Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebradiça.”
Laços de família

“Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir – esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade.”
Laços de família

“O cacto é cheio de raiva com os dedos todos retorcidos e é impossível acarinhá-lo. Ele te odeia em cada espinho espetado porque dói-lhe no corpo esse mesmo espinho cuja primeira espetada foi na sua própria grossa carne. Mas pode-se cortá-lo em pedaços e chupar-lhe a áspera seiva: leite de mãe severa.”
Um sopro de vida

“Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho.”
Laços de família

“Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.”
A hora da estrela

“Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade.”
Um sopro de vida

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.”
A hora da estrela

“A eternidade é o estado das coisas neste momento.”
A hora da estrela

“Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.”
A hora da estrela

“Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.”
Um sopro de vida

“Ser um ser permissível a si mesmo é a glória de existir.”
Um sopro de vida

“Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando.”
A paixão segundo G.H.

“Tudo o que poderia existir, já existe. Nada mais pode ser criado senão revelado.”
Perto do coração selvagem

“Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa, minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai.”
A paixão segundo G.H.


Brasília

Março 23, 2008

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“Vou agora escrever uma coisa da maior importância: Brasília é o fracasso do mais espetacular sucesso do mundo. Brasília é uma estrela espatifada. Estou abismada. É linda e é nua. O despudoramento que se tem na solidão. Ao mesmo tempo fiquei com vergonha de tirar a roupa para tomar banho. Como se um gigantesco olho verde me olhasse implacável. Aliás Brasília é implacável. Senti-me como se alguém me apontasse com o dedo: como se pudessem me prender ou tirar meus documentos, a minha identidade, a minha veracidade, o meu último hálito íntimo. “
(…)

“Olhe, Brasília, não sou dessas que andam por aí, não. Mais respeito, faça o favor. Sou uma viajante espacial. Muito respeito eu exijo. Muito Shakespeare. Ah que eu não quero morrer! Ai, que suspiro. Mas Brasília é a espera. E eu não agüento esperar. Fantasma azul. Ah, como incomoda. É como tentar lembrar-se e não conseguir. Quero esquecer de Brasília mas ela não deixa. Que ferida seca. Ouro. Brasília é ouro. Jóia. Faiscante. Tem coisa sobre Brasília que eu sei mas não posso dizer, não deixam. Adivinhem.”


Brasília

Março 23, 2008

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Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. Se eu dissesse que Brasília é bonita veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia vêem nisso uma acusação. Mas a minha insônia não é bonita nem feia, minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. É o ponto e vírgula. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.

____________________
LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

 

 


Sentimentos

Março 23, 2008
Tenho sentimentos estranhos…na verdade, são “não sentimentos”…é como quando eu era pequena, minha mãe vivia dizendo para eu não jogar bola dentro de casa…na nossa sala, em cima da mesa, havia um vaso, uma fruteira na verdade, que ela gostava muito…não preciso dizer que joguei bola…não preciso dizer que quebrei a tal da fruteira…não preciso dizer que “a chinela” comeu…lembro que quando isso aconteceu minha mãe não estava em casa…até a hora de ela chegar fiquei sentindo um misto de ódio de mi mesma com “e agora o que eu vou fazer???”Agora estou sentindo esse mesmo ódio de mim…a fruteira se quebrou…em mil caquinhos…nada, nunca mais será a mesma coisa…mesmo que “nunca mais seja muito tempo”…existem coisas, sentimentos e fruteiras que não se refazem…que não se colam…as flores morrem e não voltam…O que sinto é estranho…é uma felicidade em saber que sim, é possivel esquecer todos…e uma tristeza por ter sido tão estúpida…e um medo muito grande pq sei que outros virão para me mostrar que continuo sendo estúpida…Queria poder arrancar meu coração do peito e colocá-lo no congelador…Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderam no caos da desordem sem nexo.”
Caio Fernando Abreu

Perdoando Deus

Março 23, 2008

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre. E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos. Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais. Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação. … mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.


A rua dos cataventos

Março 23, 2008
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Preciso de alguém

Março 23, 2008

Meu nome é Caio F.

Moro no segundo andar,mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. (…)

Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

(Caio Fernando Abreu – Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

 


Eu

Março 23, 2008

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!


Mãos dadas no cinema

Março 23, 2008

No Dia dos Namorados os restaurantes lotam, os vinhos são solicitados, e as velas em cima da mesa são acendidas, há todo um clima propício para o-lhos nos olhos e confirmações verbais do amor. Clichê pra quem vê de fora. Estando dentro, aceita-se as regras do jogo, é uma das formas recorrentes de comemoração. Mas tivesse eu que escolher o símbolo máximo do namoro, não me restringiria aos prazeres da mesa, e nem mesmo aos da cama, incluindo entre os da cama colocar sobre a colcha um gigantesco bicho de pelúcia, um dos presentes preferidos para celebrar a data. Namoro que é namoro está representado por algo muito mais simples, sutil, barato e íntimo: os dedos entrelaçados no escuro do cinema. De mãos dadas se constrói uma relação.
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Quero escrever o borrão vermelhor de sangue

Março 23, 2008

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.


O despero da piedade

Março 23, 2008

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos…
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina

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Uma crônica sobre o amor

Março 23, 2008

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Dois entretenimentos diferentes. Sábado, filmezinho no DVD: Alfie, com o feioso Jude Law. Não cheguei a assistir a primeira versão, com Michael Caine, que todos dizem ser melhor, pra variar. O filme conta a história de um don juan que dorme cada noite numa cama e cujo projeto de vida é este mesmo: trocar de parceiras até a exaustão para não morrer de tédio. Aí, claro, vão acontecendo coisas aqui e ali, até que ele descobre… vê se adivinha: que uma vida não tem sentido sem amor.
 

Acabou o filme, fui dormir. Quando acordei no domingo, resolvi passar o dia em companhia de Gabriel García Márquez e seu poético Memórias de minhas putas tristes, um livro lindamente escrito e onde encontra-se a seguinte frase: “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”. Salve a literatura. Mas é exatamente o que o filmeco-sessão-da-tarde Alfie queria contar, e contou à sua maneira.

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Seja através de clichês cinematográficos ou de prosa da mais alta qualidade, a verdade universal é que só o amor nos humaniza de fato. Pode-se gostar ou não desta idéia, ela pode ser claustrofóbica para uns e libertária para outros, mas o mundo dá voltas e voltas e chega sempre neste ponto, o de que o amor é mais importante que o dinheiro, que o sexo, que a beleza, ainda que tudo isso seja ótimo também. Mesmo com uma vida recheada de acontecimentos, se estivermos ocos, não veremos muita graça em nada. Poderemos até parecer independentes, inteligentes, modernos, sofisticados… mas só o amor responde às nossas indagações – indagações que podem também ser divertidas, inspiradoras, transgressoras, bla, bla, bla… mas ainda irrespondíveis sem amor. Sem amor, neca. Sem amor, babaus. Sem amor, o resto é consolo.

Vale amor por um cachorro, por um projeto, por si mesmo? Prefiro acreditar que sim, que o amor sem conotação romântica também pode justificar uma existência, que ele pode tornar uma pessoa, senão plena, ao menos leve e alegre, sem necessidade de buscas intermináveis. Mas não é isso que nos dizem livros, filmes, músicas, poemas. Se não amamos alguém, é uma vida vivida sem integralidade. Pode até ser uma vida boa, mas não uma vida que valha a pena ser contada.
Diante desta sentença, fazer o quê: é ele que desejamos, é por ele que procuramos, é nele que queremos tropeçar, nem que seja aos 90 anos, nem que seja quando estivermos secos depois de fazer tanta burrada, nem que seja para durar três dias, nem que seja para nos fazer sofrer, nem que nos arrebentemos, como tantos se arrebentam em seu nome. Diz o personagem de García Márquez, torturado pelo amor: “Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego”. Quem mais nos colocaria assim de joelhos? Sem amor, nos resta a paz. Porém, uma paz sem gosto.

 


O Dirceu e o Jefferson salvaram o Brasil

Março 23, 2008

Ontem falei com Nelson Rodrigues num velho telefone preto que ele atende lá no céu, entre nuvens de algodão e estrelas de purpurina. Ele riu no telefone:

 

- Você só me liga quando está em crise? A crise é tua ou do País?

 

- Nelson, eu sou parte dos detritos da Nação…

- Não faz frase, rapaz, olha a pose… Esta crise é maravilhosa, os brasileiros deviam se agachar no meio fio e beber dessa sagrada lama… Ali está a salvação. O Brasil está assumindo a propria miséria, a própria lepra… Finalmente, os marxistas de galinheiro estão mostrando a cara, rapaz… Eles fazem parte da legião de cretinos fundamentais que infestam o País. Os cretinos fundamentais se escondem sob a capa da revolução, dos títulos acadêmicos, das togas de juízes, da faixa de presidente. Antigamente o cretino se escondia pelos cantos, envergonhado da própria sombra; hoje, se você subir num caixotinho de querozene Jacaré, e falar ”meu povo”, os cretinos formam uma multidão de Fla x Flu. Você pegue o Prestes, por exemplo; ele só fez errar, na vida. Tudo que ele quis deu zebra, de 35 até o fim… No entanto, quem falar mal do Prestes provoca arrancos de cachorro atropelado no ouvinte: ”Não admito, ouviu?!” Esta crise é boa porque revela a burrice da velha esquerda. Durante vinte e cinco anos organizaram um partido operário e chamaram os intelectuais que fizeram um carnaval danado, transformando o Lula num ”padim Ciço”. Mas, quando chegaram ao poder, debaixo de papel picado, resolveram se suicidar como as virgens do meu tempo: ateando fogo às vestes. Daí, a verdade inapelavel e brutal: o comunista odeia o poder! Eles erram sempre, de propósito, para esconder a incompetência sob o pretexto do fracasso. Para eles o fracasso enobrece e oculta a burrice. E em seu martírio, eles berram, orgulhosos como cristãos comidos pelos leões em filme de Cecil B. de Mille: ”Fracassei em nome do povo!”

 

- Mas… Nelson… o proletariado sob o capitalismo…

 

- Pára com isso, rapaz; o homem é capitalista… Existe mercado desde o tempo dos macacos disputando minhocas no buraco… Só os cegos acreditam na utopia e só os profetas enxergam o óbvio. O óbvio é um Pão de Açúcar que ninguém vê. E o óbvio é que os petistas queriam fazer a revolução debaixo das pernas do Lula. Mas, foram mexer com a única coisa que não podiam: com o canalha brasileiro. O canalha é um patrimônio da nacionalidade. Desde Tomé de Souza que roubam sem parar. Pois, os canalhas estavam quietos, metendo as mãos nas cumbucas do Estado, quando de repente apareceu-lhes o Zé Dirceu, achando que ia passar-lhes o conto-do-vigário. Os canalhas olharam maravilhados a burrice lívida do Dirceu e sacaram na hora: ”É tudo mané!…” Dirceu lhes esfregava milhões de reais na cara e eles piscavam cinicamente uns para os outros e diziam, contritos: ”Perfeitamente, camarada Dirceu…”

 

- Você acha o quê do Dirceu?

 

- Ele me fascina. Eu o conheci em 67, por aí… Ele vivia atracado em postes, como vira-latas… Explico: o Dirceu não podia ver um poste que ele trepava em cima e escrachava o capitalismo. Você sabe que os comunas tratam o capitalismo como uma pessoa: ”Hoje o capitalismo acordou de mau humor, o capitalismo tem de morrer!!!” Bem, como eu ia dizendo, o Dirceu vivia trepado em postes, falando da utopia, que ninguém sabia quem era. Alguns sujeitos rosnavam: ”Quem é essa tal de Utopia? É mulher dele?” Pois um dia o nosso Dirceu encontrou o Lula. Foi uma festa. O Lula era o robô perfeito para o Dirceu: operário, foice e martelo, barba, ignorante e sem dedo – tinha tudo para se tornar um símbolo de santidade, um messias da USP, onde as professoras se estapearam para pegar um autógrafo do proletário. Dirceu doutrinou o Lula, criaram o PT, até que Lula chegou ao poder. Aí, apareceu o Dirceu ”Ricardo III” o verdadeiro – que esfregou as mãos: ”Oba!…Deixa comigo!!!” E jogou o Lula para corner. O Lula achou ótimo porque estava em fremente lua-de-mel consigo mesmo, segredando para D. Mariza: ”Ei, mãezinha, quem diria nós aqui, hein…?” E nem ligava: ”Deixa que o Dirceu resolve!” Eia beijar rainhas e reis, lambido pelos granfinos internacionais.
Foi aí que surgiu o canalha, ou melhor, o ex-canalha, porque o Jefferson entrou em cena como um Falstaff ao contrário, denunciando o comandante da revolução corrupta. O Jefferson e Dirceu são a essência do teatro: protagonista e antagonista. Jefferson saiu da mentira para a verdade e o Dirceu da verdade para a mentira. A maior peça do teatro brasileiro foi o duelo dos dois na Câmara. O País parou como no Brasil x Uruguai.
Um é o espelho invertido do outro. Os dois juntos levantaram a cortina do erro brasileiro, um traçando o diagrama do sistema do Atraso e o leninista fazendo a caricatura desse ridículo sonho revolucionário do qual o Brasil tem de acordar, para fazer a verdadeira revolução americana de que Sergio Buarque falava. O Jefferson, que tinha passado a vida escondido na própria gordura, se esgueirando por estatais e fundos de pensão, descobriu a deliciosa euforia da verdade. Ninguém é mais feliz que o Jefferson, tendo orgasmos de denúncias didáticas para o País, abrindo o alçapão de ratos… E ninguém é mais feliz também que Dirceu, finalmente livre de sua revolução fracassada, finalmente no ansiado martírio, o único sossego dos paranóicos.
O óbvio ululante é que eles não devem ser tratados como canalhas. Os brasileiros deviam ajoelhar-se e beijar suas maos, pois Jefferson fez o maior tratado de sociologia da vida nacional e Dirceu fez uma revolucão ao avesso – queria um socialismo stalinista e acabou fortalecendo a democracia.
Um dia terão uma estátua em bronze – os dois sob os braços ternos de uma grande deusa nua: a Republica celebrando seus heróis. Rapaz, isso é o óbvio: Dirceu e Jefferson salvaram o Brasil! E desligou.


Depoimento

Março 23, 2008

A vida real não é feita de conquistas efêmeras, mas de relações que estarão lá para sempre. Marido, amigos, família, são eles que vão ficar do seu lado quando a empresa onde você trabalha não fizer mais parte do seu dia-a-dia. Eu, como quase todas as mulheres da minha geração, passei por uma fase de dedicação total à carreira. Seguimos à risca os conselhos de nossa mãe: – ‘Seja independente, não dependa de marido!’.Mas, para conquistar nosso espaço relegamos o emocional a segundo plano. Todas queríamos vencer como os homens, ter poder como os homens. Não me arrependo, sinto orgulho do que construí. Porém, se tivesse que dar um conselho a você, diria ‘Vá com calma! ‘. Leia o resto deste artigo »


Mulheres

Março 23, 2008

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Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs.
Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare pra refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco?
Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque “vai fazer frio”.
Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar.
O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! Começam os murmúrios:
“bem que minha mãe avisou”;
“a minha namorada chegou a tirar meu casaco do armário e eu não quis trazer”…
As passageiras simplesmente tiram os casacos das bolsas.
Como é que elas sabiam?

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“Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça…”
Se você não levar o “sapato extra”, meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro.
Pois o seu estará, sem dúvida, molhado…
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil…
As mulheres são mães!
E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em gerar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em “praga de mãe”, “amor de mãe”, “coração de mãe”… Tudo isso é meio mágico…
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo “coração de mãe” nos “anjos da guarda” de Seus filhos que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança…
E sua beleza?
No reino animal, em geral, o macho é o mais belo. O leão, o pavão, o condor…
Nem é preciso dizer que a raça humana foge à regra..
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam?
Homens também choram, mas é um choro diferente.
As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens…
É choro feminino. É choro de mulher…
Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma a outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos…
Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.
En-fei-ti-çam!
E tem mais!
No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas…
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era “um continente obscuro”. Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dele, já que Ele é o próprio amor.
Por isso dizem “estar nas nuvens”, quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora…

 

 


Pra viver um grande amor

Março 23, 2008

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Para viver um grande amor , preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois de muitas, poxa ! é de colher… não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro seja lá como for.

Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada para viver um grande amor.
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Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo “, que porque é só vós quer sempre consigo para iludir o grande amor.

É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja muito apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade para viver um grande amor.

Pois quem trai seu amor por uma vanidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor. Para viver um grande amor, “il faut ” , além de ser fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e judô para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas um bom sujeito; é preciso também ter muito peito peito de remador.

É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas na florista muito mais, muito mais que na modista ! para aprazer o grande amor.

Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes comidinhas para depois do amor.

E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor ? Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto pra não morrer de amor.

 

 

É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente e esfria um pouco o amor.

Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque ( com mau bebedor nunca se arrisque! ) e ser impermeável ao diz-que-diz-que que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta “selva obscura” e desvairada não se souber achar a bem-amada para viver um grande amor.