Watchmen
Março 9, 2009
A sequência de abertura de Watchmen (Estados Unidos, 2009), que estreia nesta sexta-feira no país, é algo verdadeiramente memorável: uma série de dioramas animados por atores de carne e osso que, ao som de The Times They Are A-Changin’, de Bob Dylan, narra a ascensão e o declínio de um grupo de justiceiros que, nos anos 40, meio por farra, meio por convicção, inventou personas e fantasias e se juntou para combater o crime – e então, no correr dos anos e das transformações pelas quais os Estados Unidos iam passando, começou a ser identificado com o fascismo parapolicial e, finalmente, terminou por ser tornado ilegal pelo governo de Richard Nixon (que, neste universo paralelo, nunca renunciou e está já em seu quinto mandato consecutivo). São imagens ao mesmo tempo belíssimas e melancólicas, que, sublinhadas pela canção de Dylan, evocam um dos aspectos mais vertiginosos da vida americana: a euforia do auge e a humilhação da queda em desgraça. Essas, entretanto, estão entre as poucas emoções que Watchmen é capaz de despertar em suas quase três horas de duração. E, toda vez que algum sentimento desponta, a coincidência se repete: alguma música icônica e carregada de significado está acompanhando a cena. O que, em outras palavras, quer dizer que Watchmen não tem muita coisa dentro de si. Dirigido por Zack Snyder, de 300, ele é o equivalente cinematográfico de um narcisista: uma criatura tão envolvida consigo mesma e tão saciada pela própria beleza que não lhe ocorre que não basta apenas existir, mas que é preciso também tentar alcançar as pessoas convocadas a apreciá-la.
Lançada nos anos 80 por Dave Gibbons e Alan Moore (que, como em V de Vingança, exigiu por questão de princípio que seu nome não constasse dos créditos do filme), a graphic novel Watchmen é considerada o padrão-ouro do gênero, o quadrinho que todos os outros quadrinhos aspiram a ser. Como sempre no trabalho de Moore, ela tem um subtexto político que é ao mesmo tempo ingênuo e feroz na sua disposição de denunciar as infinitas variantes de embriaguez que o poder oferece. Mas Watchmen tem algo mais: um entendimento delicado e até compassivo do mal-estar de alma que ter ou perder esse poder acarreta, e que seus personagens ilustram de várias maneiras – da impotência sexual do Coruja (Patrick Wilson) e da obsessão por vingança de Rorschach (Jackie Earle Haley) à distância cada vez maior que o superpoderoso Dr. Manhattan (Billy Crudup) põe entre si e a humanidade e à venalidade do Comediante (Jeffrey Dean Morgan), cujo assassinato serve de estopim para a trama.
Zack Snyder segue de muito perto tanto as situações descritas por Moore como essa tristeza dos protagonistas. O que ele não consegue é exprimi-la: no seu empenho em traduzir o quadrinho em imagens que só poderiam existir no cinema e em nenhum outro meio visual, Snyder cerca esse centro emotivo da história com tanto som e fúria que o obscurece por completo. Assim, mesmo atores fortes como Patrick Wilson e Billy Crudup ficam pequenos e fora de escala nesse tableau gigantesco; e, quando a violência irrompe, ela não transmite ferocidade – parece apenas gratuita e quase pornográfica, uma espécie de tranco com que tirar a plateia da apatia induzida pelo excesso de enredo e falta do que comunicar com ele. Watchmen parece, portanto, destinado a se tornar um marco: um marco tanto na sua estupenda concepção visual e de linguagem, como da esterilidade para a qual uma certa vertente do cinema americano vai caminhando. Como o Dr. Manhattan, este é um filme imensamente poderoso e impressionante – e que mal consegue se lembrar do que é ser humano.
Quem quer ser um milionário?
Março 5, 2009
Jamal Malik (o estreante Dev Patel), de 18 anos, nasceu numa favela medonha de Mumbai, criou-se numa miséria desesperadora, foi vítima de exploração abjeta e não tem ninguém senão o irmão Salim – e mal o tem, já que Salim (Madhur Mittal) enveredou pelo caminho previsível da bandidagem. Mas, por força de sua resistência e de sua serenidade inata, alçou-se no mundo: tem um emprego como chai wallah, ou seja, serve chá aos operadores de um centro de telemarketing. Quando Jamal é visto pela primeira vez, ele está numa situação ainda mais espantosa: acaba de se tornar o primeiro concorrente de um programa de perguntas e respostas a chegar perto do prêmio máximo de 20 milhões de rúpias. Que um favelado que mal foi à escola tenha acertado todas as questões até ali naturalmente desperta suspeitas; pode ser sorte, ou pode também ser fraude. Enquanto um investigador de polícia (o sempre maravilhoso Irrfan Khan) tenta extrair de Jamal a verdade, primeiro sob tortura e depois, quando esta nada tira dele, em uma longa conversa, a explicação pouco a pouco vem à tona – as respostas corretas estavam todas contidas, de alguma forma, na vida pregressa de Jamal, uma saga que Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, Inglaterra, 2008), que começa a ser exibido em esquema de pré-estreia no país nesta sexta-feira e entra em circuito nacional no dia 6 de março, vai recuperando e costurando ao presente.
Trata-se de uma vida que, em estado bruto, renderia não um, mas um punhado de melodramas, indo do assassinato da mãe de Jamal e Salim num ataque contra a população muçulmana da favela e da captura dos dois irmãos por um explorador de crianças até as incontáveis vezes em que Jamal reencontra Latika (Freida Pinto), a menina que ele acredita ser seu destino, para então perdê-la de novo, sempre de forma trágica. Mas este filme irrefreável do diretor inglês Danny Boyle não tem tempo nem temperamento para se demorar no sofrimento; o que ele quer é despertar um estado de fé tão antigo que volta a parecer novo – a alegria por um menino que nasceu para mover montanhas. Quem Quer Ser um Milionário? (inspirado no livro Sua Resposta Vale um Bilhão, do indiano Vikas Swarup, lançado no Brasil pela Companhia das Letras) é uma celebração e tem sido quase unanimemente entendido como tal, em uma onda que já lhe rendeu sessenta prêmios, uma bilheteria americana surpreendente para uma produção falada boa parte em hindi e dez indicações ao Oscar, no qual toma a dianteira como o favorito.
Como todo ponto fora da curva (e as comparações com Cidade de Deus se tornaram inevitáveis, por nenhum motivo mais razoável do que ambos falarem de pobreza e violência nos trópicos), Quem Quer Ser um Milionário? tem suscitado sua cota de objeções. As mais cansadas – e cansativas – seguem a linha de que é errado dar tratamento pop à miséria, de que um inglês não tem nada que se pretender tradutor das vicissitudes sociais indianas e, claro, de que a aventura de Jamal é impossível. Perder-se nesses desvios, porém, implica perder também tudo aquilo que o filme tem de melhor. Mais de metade dos 19 milhões de habitantes de Mumbai mora em favelas como a de Dharavi, que serviu de cenário à produção, onde casebres desgraçados se equilibram entre lagoas de excrementos e montanhas de lixo; mas essas favelas assustadoras até para o padrão brasileiro concentram uma parte importante da atividade da cidade e, assim como as nacionais, não são povoadas por gente que só pensa na própria tristeza o tempo todo. À maneira indiana, elas são uma possibilidade tratável de vida.
Além disso, Mumbai é uma espécie de cristalização do instante singular que a Índia atravessa, a meio caminho entre uma pobreza e um modo de vida ancestrais e um desenvolvimento econômico avassalador. Não é, nesse sentido, tão diferente da Londres do século XIX que o escritor Charles Dickens retratou em suas histórias de órfãos infelicíssimos que, no desfecho, terminam por vencer as adversidades – e Dickens, filtrado pela lente de um diretor que viveu a adolescência em Manchester, no momento em que a cidade se tornou o epicentro europeu da inovação pop, é a inspiração mais presente em Quem Quer Ser um Milionário?. (Os atores que fazem os protagonistas na infância, recrutados em Dharavi e postos na escola pela primeira vez pelos produtores do filme, são um primor dickensiano, genuínos ao mesmo tempo na miséria e na ebuliência infantil.) Por fim, o fato de a aventura de Jamal ser tão improvável é a razão de ser do filme: o desejo de afirmar que o impossível pode ser um estado relativo, não necessariamente absoluto.
Se Quem Quer Ser um Milionário? resulta contagiante – e não manipulativo, como poderia ter se tornado – é porque é tão franco na sua crença em Jamal que não o humilha com o recurso a algum deus ex machina. Jamal lida com as situações que se apresentam com os meios de que dispõe; não vê a si mesmo como uma vítima, mas também não se conforma. É alguém que quer ir em frente, e mirar no melhor. E, para a incredulidade do apresentador do programa (Anil Kapoor, astro de Bollywood), o melhor para Jamal não é o prêmio de 20 milhões de rúpias – é apenas tirar Latika da situação que ele deixou para trás, mas da qual ela ainda não conseguiu escapar. Isso, enfim, é o que um diretor inglês, que, como tal, está sim ligado ao subcontinente indiano tanto pelo passado colonialista como pelo presente de imigração, pode traduzir sobre a Índia: sua admiração honesta e incontida pelo país que Jamal simboliza aqui, e que prefere achar um meio de seguir adiante, com o pouco que tem em mãos, a se comiserar com suas desgraças. Que não são poucas e por muito tempo, mas não mais, foram dadas como absolutas.
Confira os vencedores do Globo de Ouro 2009
Fevereiro 2, 2009Confira abaixo, em negrito, os vencedores do Globo de Ouro 2009
Melhor atriz coadjuvante em filme:
- Amy Adams – “Doubt”
- Penelope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
- Viola Davis – “Doubt”
- Marisa Tomei – “The wrestler”
- Kate Winslet – “The reader”
Melhor canção original:
- “Down to earth” (Peter Gabriel) – “Wall-E”
- “Gran Torino” (Clint Eastwood, Jamie Cullum e outros) – “Gran Torino”
- “I thought I lost you” (Myley Cyrus) – “Bolt”
- “Once in a lifetime” (Beyoncé) – “Cadillac records”
- “The wrestler” (Bruce Springsteen) – “The wrestler”
Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme feito para a TV:
- Neil Patrick Harris – “How I met your mother”
- Denis Leary – “Recount”
- Jeremy Piven – “Entourage”
- Blair Underwood – “In treatment”
- Tom Wilkinson – “John Adams”
Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme feito para a TV:
- Eileen Atkins – “Cranford”
- Laura Dern – “Recount”
- Melissa George – “In treatment”
- Rachel Griffiths – “Brothers and sisters”
- Dianne Wiest – “In treatment”
Melhor ator em série dramática:
- Gabriel Byrne – “In treatment”
- Michael C. Hall – “Dexter”
- Jon Hamm – “Mad men”
- Hugh Laurie – “House”
- Jonathan Rhys Meyers – “The Tudors”
Melhor atriz em série dramática:
- Sally Field – “Brothers and sisters”
- Mariska Hargitay – “Law and order: special victims”
- January Jones – “Mad men”
- Anna Paquin – “True blood”
- Kyra Sedgwick – “Closer”
Melhor longa de animação:
- “Bolt”
- “Kung Fu Panda”
- “Wall-E”
Melhor atriz em filme musical ou comédia:
- Rebecca Hall – “Vicky Cristina Barcelona”
- Sally Hawkins – “Happy-go-lucky”
- Frances McDormand – “Queime depois de ler”
- Meryl Streep – “Mamma mia!”
- Emma Thompson – “Last chance Harvey”
Melhor minissérie ou filme feito para a TV:
- “A raisin in the sun”
- “Bernard and Doris”
- “Cranford”
- “John Adams”
- “Recount”
Melhor ator coadjuvante em filme:
- Tom Cruise – “Trovão tropical”
- Robert Downey Jr. – “Trovão tropical”
- Ralph Fiennes – “A duquesa”
- Philip Seymour Hoffman – “Doubt”
- Heath Ledger – “Batman – O cavaleiro das trevas”
Melhor filme de língua estrangeira:
- “The Baader Meinhof complex” (Alemanha)
- “Everlasting moments” (Suécia/Dinamarca)
- “Gomorra” (Itália)
- “I’ve loved you so long” (França)
- “Waltz with Bashir” (Israel)
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para a TV:
- Judi Dench – “Cranford”
- Catherine Keener – “An American crime”
- Laura Linney – “John Adams”
- Shirley MacLaine – “Coco chanel”
- Susan Sarandon – “Bernard and Doris”
Melhor roteiro de longa-metragem:
- Simon Beaufoy – “Slumdog millionaire”
- David Hare – “The reader”
- Peter Morgan – “Frost/Nixon”
- Eric Roth – “O curioso caso de Benjamin Button”
- John Patrick Shanley – “Doubt”
Melhor ator em série musical ou cômica:
- Alec Baldwin – “30 Rock”
- Steve Carell – “The office”
- Kevin Connolly – “Entourage”
- David Duchovny – “Californication”
- Tony Shalhoub – “Monk”
Melhor ator em minissérie ou filme feito para a TV:
- Ralph Fiennes – “Bernard and Doris”
- Paul Giamatti – “John Adams”
- Kevin Spacey – “Recount”
- Kiefer Sutherland – “24: redemption”
- Tom Wilkinson – “Recount”
Melhor série de TV – musical ou comédia:
- “30 Rock”
- “Californication”
- “Entourage”
- “The office”
- “Weeds”
Melhor trilha sonora original:
- Alexandre Desplat – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Clint Eastwood – “A troca”
- James Newton Howard – “Defiance”
- A.R.Rahman – “Slumdog millionaire”
- Hans Zimmer – “Frost/Nixon”
Melhor atriz em série musical ou cômica:
- Christina Applegate – “Samatha who?”
- América Ferrera – “Ugly Betty”
- Tina Fey – “30 Rock”
- Debra Messing – “The starter wife”
- Mary-Louise Parker – “Weeds”
Melhor diretor de longa-metragem:
- Danny Boyle – “Slumdog millionaire”
- Stephen Daldry – “The reader”
- David Fincher – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Ron Howard – “Frost/Nixon”
- Sam Mendes – “Revolutionary road”
Melhor ator em filme musical ou comédia:
- Javier Bardem – “Vicky Cristina Barcelona”
- Colin Farrell – “Na mira do chefe” (In Bruges)
- James Franco – “Segurando as pontas”
- Brendan Gleeson – “Na mira do chefe” (In Bruges)
- Dustin Hoffman – “Last chance Harvey”
Melhor filme – musical ou comédia:
- “Queime depois de ler”
- “Happy-go-lucky”
- “Na mira do chefe” (In Bruges)
- “Mamma mia!”
- “Vicky Cristina Barcelona”
Melhor atriz em filme dramático:
- Anne Hathaway – “O casamento de Rachel”
- Angelina Jolie – “A troca”
- Meryl Streep – “Doubt”
- Kristin Scott Thomas – “I’ve loved you for so long”
- Kate Winslet – “Revolutionary road”
Melhor série de TV – drama:
- “Dexter”
- “House”
- “In treatment”
- “Mad men”
- “True blood”
Melhor ator em filme dramático:
- Leonardo DiCaprio – “Revolutionary road”
- Frank Langella – “Frost/Nixon”
- Sean Penn – “Milk”
- Brad Pitt – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Mickey Rourke – “The wrestler”
Melhor filme – drama:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Frost/Nixon”
- “The reader”
- “Revolutionary road”
- “Slumdog millionaire”
Prêmio especial Cecil B. DeMille:
- Steven Spielberg - conjunto da obra
Confira a lista completa dos indicados ao Oscar 2009
Fevereiro 2, 2009A Academia das Artes e Ciências Cinematográficas divulgou na manhã desta quinta-feira (22), os indicados ao Oscar 2009. A cerimônia acontece dia 22 de fevereiro, em Hollywood!
Melhor filme:
- “Quem quer ser um milionário?”
- “Frost/Nixon”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “The reader”
Melhor diretor:
- Danny Boyle - “Quem quer ser um milionário?”
- Ron Howard – “Frost/Nixon”
- David Fincher – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Gus Van Sant – “Milk – A voz da liberdade”
- Stephen Daldry – “The reader”
Melhor ator:
- Mickey Rourke – “The wrestler”
- Sean Penn “Milk – A voz da liberdade”
- Frank Langella – “Frost/Nixon”
- Brad Pitt – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Richard Jenkins – “The visitor
Melhor atriz:
- Meryl Streep – “Doubt”
- Kate Winslet – “The reader”
- Anne Hathaway – “O casamento de Rachel”
- Angelina Jolie – “A troca”
- Melissa Leo – “Frozen river”
Melhor ator coadjuvante:
- Heath Ledger – “Batman – O cavaleiro das trevas”
- Josh Brolin – “Milk – A voz da liberdade”
- Robert Downey Jr. – “Trovão tropical”
- Philip Seymour Hoffman – “Doubt”
- Michael Shannon – “Revolutionary road”
Melhor atriz coadjuvante:
- Amy Adams – “Doubt”
- Penélope Cruz – “Vicky Cristina Barcelona”
- Viola Davis – “Doubt”
- Taraji P. Henson – “O curioso caso de Benjamin Button”
- Marisa Tomei – “The wrestler”
Melhor longa de animação:
- “Wall.E”
- “Kung Fu Panda”
- “Bolt – Supercão”
Melhor filme em língua estrangeira:
- “Revanche”, de Gotz Spielmann (Áustria)
- “The class”, de Laurent Cantet (França)
- “The Baader Meinhof Complex”, de Uli Edel (Alemanha)
- “Waltz with Bashir”, de Ari Folman (Israel)
- “Departures”, de Yojiro Takita (Japão)
Melhor roteiro original:
- “Frozen river”
- “Na mira do chefe”
- “Wall.E”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Happy-go-lucky”
Melhor roteiro adaptado:
- “O caso curioso de Benjamin Button”
- “Doubt”
- “Frost/Nixon”
- “The reader”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor direção de arte:
- “A troca”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “A duquesa”
- “Revolutionary road”
Melhor fotografia:
- “A troca”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “The reader”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor mixagem de som:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Quem quer ser um milionário?”
- “Wall.E”
- “Procurado”
Melhor edição de som:
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Homem de Ferro”
- “Wall.E”
- “Procurado”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor trilha sonora original:
- Alexandre Desplat – “O curioso caso de Benjamin Button”
- James Newton Howard – “Defiance”
- Danny Elfman – “Milk – A voz da liberdade”
- Thomas Newman – “Wall.E”
- A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor canção original:
- “Down to Earth”, de Peter Gabriel and Thomas Newman – “Wall.E”
- “Jai Ho” de A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
- “O Saya”, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor figurino:
- “Austrália”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “A duquesa”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Revolutionary road”
Melhor documentário de longa-metragem:
- “The betrayal”
- “Encounters at the end of the world”
- “The garden”
- “Man on wire”
- “Trouble the water”
Melhor documentário de curta-metragem:
- “The conscience of Nhem En”
- “The final inch”
- “Smile Pinki”
- “The witness – From the balcony of room 306”
Melhor edição:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Frost/Nixon”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhores efeitos especiais:
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Homem de Ferro”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor maquiagem:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- Hellboy II – O exército dourado”
Melhor animação de curta-metragem:
- “La maison en petits cubes”
- “Lavatory – Lovestory”
- “Oktapodi”
- “Presto”
- “This Way Up”
Melhor curta-metragem:
- “Auf der strecke (On the Line)”
- “Manon on the asphalt”
- “New Boy”
- “The Pig”
- “Spielzeugland (Toyland)”
Foi Apenas Um Sonho
Fevereiro 2, 2009
Infelizes para sempre
Um urbanista diria que aqueles aprazíveis subúrbios americanos são uma anomalia: agremiações de famílias de profissão, renda e origem iguais, sem a variedade nem a fricção das cidades “naturais”. Já a ficção americana enxerga neles algo mais – o lugar em que os casamentos são estéreis ou rancorosos, em que tudo o que não é igual é tolhido, em que a vida se desdobra sem propósito, a mediocridade reina e o consumo é deus. O fenômeno dos subúrbios (cujo equivalente, no Brasil, são os condomínios fechados) já conta mais de meio século, mas essa sua imagem continua palpitante na ficção. É ela que está no centro de Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, Estados Unidos, 2008), que estreia nesta sexta-feira no país e é a adaptação de um romance de Richard Yates que, publicado em 1961, constitui uma espécie de marco zero da dramaturgia do subúrbio. E é parte essencial também da série Mad Men, cuja segunda temporada começa a ser exibida no dia 7 pelo canal HBO. Se o ponto de partida é semelhante, porém, o saldo final desses dois trabalhos não poderia ser mais contrastante. (Para ir adiantando: Mad Men ganha por nocaute.)
Estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, Foi Apenas um Sonho trata de Frank e April Wheeler, que se conhecem na boêmia da Nova York dos anos 50, apaixonam-se e então se casam, porque ela engravidou, e vão morar no subúrbio. April tentou ser atriz, mas falhou. Cuida então da casa e das crianças. Frank, que nunca chegou a descobrir qual seria sua suposta vocação criativa, trabalha sem entusiasmo em uma empresa de equipamentos para escritório. Quando estão juntos, eles espezinham um ao outro, às vezes com violência – ou, quando estão de bem, reafirmam mutuamente quanto são superiores a essa vidinha. A questão é que April de fato detesta sua rotina (e talvez nem mesmo ame o marido), enquanto Frank posa de inconformista apenas para se manter interessante aos olhos da mulher. Esse equilíbrio tênue, então, desanda: April decide que eles devem se mudar para Paris, onde ela vai sustentar a família e ele vai “se descobrir”.
Essa é uma das boas cenas de DiCaprio. Frank concorda com a proposta para provar que é um espírito livre, mas no fundo do seu olhar há pânico. Ele suspeita que não tem nada dentro de si a descobrir e, ademais, gosta da sua vida – dos filhos, da casa confortável, dos vizinhos, da mulher bonita e meio exótica para aquele cenário. Começa a gostar até do emprego, quando, por criancice – já que vai se demitir –, propõe uma ideia atrevida, mas que cai no gosto da diretoria. Esse é, também, um dos bons momentos do filme, porque é um dos poucos em que o subtexto de Richard Yates sobrevive à adaptação do diretor Sam Mendes, de Beleza Americana (e marido de Kate Winslet). Yates de fato pinta esse estilo de vida como de uma esterilidade irremediável. Só que sugere, nas nuances, que Frank e April culpam essa vida pela mediocridade que é deles, e que eles levaram consigo para o subúrbio – uma distinção sutil que se perde na adaptação de Mendes, com seu pessimismo vendido a granel, sem muita atenção para as forças que estavam se insinuando na sociedade americana. Tudo soa falso. Não por acaso, o filme conseguiu uma única indicação relevante ao Oscar: a de coadjuvante para o grande Michael Shannon, que interpreta com brutalidade virtuosística um homem que, em tratamento para um desequilíbrio mental, diz as coisas que os outros tentam reprimir.
Para apreciar a contento a nova temporada de Mad Men, é preciso dar um jeito de assistir antes às reprises da primeira (que não foi lançada em DVD aqui). O que se ganha com o esforço é um exemplo da criatividade superlativa com que hoje a TV americana desbanca o cinema: quanto mais o espectador se deleita com a decoração e os figurinos belíssimos, os penteados impecáveis, o emocionante (sim, emocionante) jogo político do dia-a-dia no escritório e em casa, melhor ele percebe como esses personagens se deixaram aprisionar nessa ilusão de felicidade – e melhor pressente também por que eles não entendem que o sentimento os ilude a cada tentativa. Em Mad Men, caminha-se sobre um chão que só aparenta ser firme: sob ele, as placas tectônicas das grandes forças políticas, sociais e individuais da segunda metade do século XX já estão se chocando, e provocando mudanças psicológicas violentas que nenhuma dessas pessoas sabe ainda articular. Cabe a uma série de televisão, assim, ir ao centro emocional da era do subúrbio: Mad Men compreende que a insatisfação já era algo sentido, só não havia ainda um vocabulário para ela. Não que o programa precise de palavras. Tudo está dito nas imagens – e nas nuances.
Austrália
Janeiro 27, 2009
Em Austrália, que estreia no país nesta sexta-feira, a inglesa esnobe Sarah Ashley – que, numa confusão transoceânica, é interpretada pela genuinamente australiana Nicole Kidman – vai para o país-título, em 1939, pôr na linha o marido, que ela julga estar pulando a cerca da fazenda. Encontra-o morto, graças a um barão do gado maléfico (pelo jeito, não existe outro tipo), mas preenche o vazio com o rude, lacônico e solitário vaqueiro (também não existe outro tipo) feito por Hugh Jackman, mais a afeição do garoto Nullah (Brandon Walters, única salvação desta lavoura), filho enjeitado de um branco com uma aborígine. É evidente que, aos olhos do diretor Baz Luhrmann, seu filme é uma combinação nativa de …E o Vento Levou e Lawrence da Arábia. Aos olhos da plateia também – desde que se frise tratar-se da versão pastelão e semianalfabeta desses dois épicos. Para escapar de um programa supliciante, então, oito justificativas prontas:
“Muito grande e muito vazio: só nisso Austrália faz jus ao país que lhe dá o nome.”
Isabela Boscov
“Só há uma explicação racional para a existência deste épico obeso: trata-se de uma piada, uma gague. Algum bêbado desafiou Baz Luhrmann a quebrar recordes de bilheteria fazendo o filme australiano mais inacreditavelmente ruim de todos os tempos.”
Luke Buckmaster, In Film Australia
“Gente, você diria que eu estou bem nesse filme?”
Nicole Kidman, protagonista, para o seu marido na pré-estreia
“Algo estranho aconteceu comigo já no começo do excruciante Austrália. Um choque clínico pôs a parte superior do meu corpo em estado de paralisia. A pele do meu rosto ficou tão esticada e inerte quanto a testa de Nicole Kidman, e o céu da minha boca se travou enquanto eu tentava emitir um traumatizado relincho de desespero.”
Peter Bradshaw, The Guardian
“Os espectadores que não tenham um vasto apetite por condescendência racial, manadas de gado em computação gráfica e amassos fotografados em contraluz vão atravessar Austrália com todo o entusiasmo dos condenados que, no século XVIII, eram mandados para lá contra a sua vontade.”
Dana Stevens, Slate
“Austrália não passa de um exercício melodramático sobre o tédio.”
Claudia Puig, USA Today
“Luhrmann é atraído pelo kitsch de maneira tão inevitável quanto um urso pelo mel.”
David Denby, The New Yorker
“Luhrmann desenvolve um hábito ruim em Austrália: ele insiste que a plateia sinta emoções que o filme é incapaz de incitar.”
Mick LaSalle, San Francisco Chronicle
Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada
Novembro 29, 2008Essa semana vi esse filme e achei completamented esplêndido. Eu já adoro o Steve Carrel e ele também não decepciona. O filme é romântico, engraçado e realmente comove. Por isso resolvi deixar aqui também a crítica da Isabela Boscov sobre o filme e recomendo que todos assistam.
O amor verdadeiro
Novembro 29, 2008Em Appaloosa, só um homem é capaz de entender outro
Em 1882, Appaloosa, no então território do Novo México, é o que diz o subtítulo brasileiro do filme – uma cidade sem lei. Mas, com a chegada do xerife de aluguel Virgil Cole (Ed Harris, que também assina a direção) e seu parceiro, Everett Hitch (Viggo Mortensen), ela passa ao menos a ser uma cidade com algum freio às atividades predatórias do proprietário de terras Randall Bragg (Jeremy Irons), que formou uma suja, violenta e barbuda milícia particular para melhor tiranizar os moradores. Por quase todas as medidas, Appaloosa (Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país, é um faroeste clássico: no ritmo desapressado, nos diálogos esparsos, nas vistas batidas de sol, na divisão clara entre gente de bem e bandidos, no humor discreto – Virgil, o homem que emana tanta autoridade que todos diminuem diante dele, tem considerável dificuldade para articular seus pensamentos, e depende de Everett para completar suas frases. Não demora, entretanto, para que um ou outro elemento de uma visão contemporânea comece a abrir caminho para dentro da história. Por exemplo, o retrato do atraso e da selvageria tentando se transformar – ainda sem muito sucesso – em civilização. Ou a personagem da esfuziante Allison French (Renée Zellweger), que se diz viúva e chega ao vilarejo perfumada e vestida em seda e logo se abanca com o xerife. E então com outro e mais outro, desde que estes estejam no comando da situação. A fronteira não é um lugar fácil para uma mulher, e toda vantagem é bem-vinda.A razão de ser do filme, porém, é outra: é o que existe de cumplicidade, amizade, admiração e amor (não erótico, mas nem por isso menos amor) entre Virgil e Everett. O assistente idolatra seu chefe e, como se verá, fará qualquer sacrifício por ele – ainda que entenda melhor do que ninguém seus defeitos. Por um trajeto bem mais moderno, assim, Appaloosa chega à conclusão a que tantos outros westerns chegaram no decorrer das décadas – na vida fluida e precária que a fronteira simboliza tão bem, a única coisa de que um homem pode ter certeza é da lealdade de outro homem.
Veja o trailer do filme:
Conflito sem solução
Novembro 26, 2008
Rede de Mentiras tem desenvoltura técnica e um elenco impecável. Mas não vence o desafio de transformar a guerra contra o terror em matéria para o cinema.
Em uma proposição que não deixa de ser instigante, Rede de Mentiras (Body of Lies, Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país, argumenta que a guerra ao terror estaria fadada ao fracasso em razão da desigualdade entre os adversários: quanto mais os serviços ocidentais de inteligência se amparam na tecnologia, mais o inimigo recua em seus métodos. Em vez de celulares e computadores, recorre a papel, lápis e trocas pessoais de informação – todos invisíveis aos satélites e às escutas. A única alternativa (e aquela em que a inteligência americana é sabidamente falha) seria a infiltração. Eis então a razão de ser do agente de campo Roger Ferris (Leonardo DiCaprio), que no filme do diretor inglês Ridley Scott anda pelos Emirados Árabes e pela Jordânia à cata do líder de uma organização terrorista que já deixou dezenas de mortos em atentados em Manchester e em Amsterdã, e promete muitos outros ainda. Ferris não só arrisca a própria pele, como é um ser moral. São inúmeros, portanto, os seus pontos de atrito com Ed Hoffman (Russell Crowe), o agente que o teleguia a partir da sede da CIA – ou da porta da escola dos filhos, ou da cozinha confortável em que prepara o café-da-manhã. Balofo, grisalho e doméstico, Hoffman é no entanto um homem implacável, que sacrifica inocentes sem emoção. Entre ele e Ferris, não resta dúvida de qual é o homem mais perigoso. A mensagem desse contraponto é também muito clara: a insensibilidade com que essa guerra é dirigida faz inimigos, nos territórios muçulmanos, muito mais rapidamente do que os elimina.
Em entrevista a VEJA, Ridley Scott afirmou ser fã dos romances de espionagem de John Le Carré. Nem precisaria tê-lo admitido: o trânsito angustiante entre aliados que podem ser adversários e adversários que podem virar aliados – a rotina de um espião atrás de linhas inimigas, que Le Carré descreve tão bem – é um dos fortes de Rede de Mentiras (aliás, adaptado de um livro do jornalista americano David Ignatius). Os outros ficam por conta da desenvoltura técnica e visual do diretor e do seu elenco. Além de Crowe e DiCaprio, ambos ótimos, ele inclui o fenomenal ator inglês Mark Strong como o sedoso chefe da inteligência jordaniana e vários intérpretes recrutados no cinema de língua árabe. Já seu defeito é o mesmo que, exceção feita a Syriana, atinge todas as outras produções americanas até aqui sobre o tema: de um lado, simplificam-se até o seu mínimo as infinitas complexidades da tensão entre Ocidente e Oriente Médio; de outro lado, elabora-se ao máximo a ação. O que resulta dessa tática é, no caso de Rede de Mentiras, uma história que se torna a cada passo mais inverossímil, e por isso menos envolvente. Desde o início, o cinema domou com maestria os enredos proporcionados pela Guerra Fria. Já a guerra ao terror parece ser um desafio que também ele é incapaz de vencer.
Veja a crítica de Isabela Boscov sobre o filme:
Loose Lips
Novembro 21, 2008
A frase “Loose lips might sink ships” foi cunhada durante a 2ª GM como parte da tentativa do serviço de inteligência dos EUA de limitar a possibilidade de as pessoas inadvertidamente darem informações a espiões inimigos. Houve vários outros slogans nesse sentido, que guardam semelhança com o nosso bom e velho “em boca fechada não entra mosquisto”, mas com uma marca mais militarista.
Descobri essa frase tentando entender a música “Loose Lips“, da Kimya Dawson, faixa 8 da trilha sonora do filme “Juno“, que acumulou 4 indicações ao Oscar de 2008. Assim que eu vi o filme, que é fantástico, a começar pela atuação da Ellen Page (quem ficou fã dela também não pode deixar de ver o filme meninamá.com), baixei toda a trilha sonora, que conta também com músicas como “My Rollercoaster” e “Anyone Else but you”.
Já Loose Lips diz no seu primeiro verso que lábios soltos podem afundar navios, mas “gansos perdidos fazem viagens para São Francisco” (?). O que é exatamente um “loose goose” fica pra depois, mas meio que dá pra entender o trocadilho.
Bom, como os versos de músicas anti-folk são numerosos, a dica que fica é ouvir repetidamente a música lendo a letra, que além de meter o pau no George W. Bush, por ser tão militarizado, tem vários outros joguinhos de palavras divertidas e um refrão bem “como é bom ser adolescente”.
Loose lips might sink ships
But loose gooses take trips
To San Francisco, double dutch disco
Tech TV hottie, do it for Scotty
Do it for the living and do it for the dead
Do it for the monsters under your bed
Do it for the teenagers and do it for your mom
Broken hearts hurt but they make us strong and
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We’re just dancing, we’re just hugging
Singing, screaming, kissing, tugging
On the sleeve of how it used to be
How’s it gonna be?
I’ll drop kick Russell Stover
Move into the starting over house
And know Matt Rouse and Jest
Are watching me achieve my dreams
And we’ll pray all damn day, every day
That all this shit our president has got us in will go away
While we strive to figure out a way we can survive
These trying times without losing our minds
So if you wanna burn yourself, remember that I love you
And if you wanna cut yourself, remember that I love you
And if you wanna kill yourself, remember that I love you
Call me up before you’re dead
We can make some plans instead
Send me an IM, I’ll be your friend
Shysters live from scheme to scheme
And my 3/4 pipe dreams
Are seeming more and more worth fighting for
So I’ll curate some situations
Make my job a big vacation
And I’ll say fuck Bush and fuck this war
My war paint is sharpie ink
And I’ll show you how much my shit stinks
And ask you what you think
Because your thoughts and words are powerful
They think we’re disposable
Well both my thumbs opposable
Are spelled out on a double word
And triple letter score and
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened
We’re just dancing, we’re just hugging
Singing, screaming, kissing, tugging
On the sleeve of how it used to be
Publicado por brunarangel
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