Março 23, 2008
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
1 Comentário |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angustia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde esta, que tem saudade..sei lá de quê!”
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: frases, reflexão |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Passo pálida e triste. Oiço dizer
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer…
Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?… o que me importa?…
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!
O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!
E é tudo sempre o mesmo,eternamente…
O mesmo lago plácido, dormente dias,
E os dias,sempre os mesmos,a correr…
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!…
Não ’stendas tuas asas para o longe…
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar…
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além …
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !
O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
__O jardim dos meus versos todo em flor …
A seara dos teus beijos, pão bendito …
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços …
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar …
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar …
__Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !
Minh’ alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !
O amor dum homem ? __Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada …
Um homem ? __Quando eu sonho o amor de um Deus ! …
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !
Não vejo nada assim enlouquecida …
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa …”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !
E, olhos postos em ti, digo de rastros :
“Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! …”
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade !
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo ! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita !
Sonho que sou Alguém cá neste mundo ..
.Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !
E quando mais no céu eu vou sonhando,E
quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho … E não sou nada! …
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 23, 2008

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beijá-me as mãos, Amor, devagarinho…
Como se os dois nascessemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho…
Beija-mas bem!… Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!…
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: amor, poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Fevereiro 17, 2008
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… Além…
Mais este e aquele, o outro e a toda gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder… pra me encontrar…
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: amor, poema |
Permalink
Publicado por brunarangel
Dezembro 19, 2007

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder …
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda …
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei …
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca
Leave a Comment » |
Florbela Espanca | Tagged: amor, poema |
Permalink
Publicado por brunarangel